sexta-feira, 27 de abril de 2012

Projeto: EU TAMBÉM SOU ARTISTA

INTRODUÇÃO
A “arte” é inerente ao homem e tem comprovado isso através da forma e dos signos encontrados nas manifestações artísticas, em cavernas e construções do mundo inteiro. A necessidade de se expressar, de externar certos anseios, de marcar territórios e de comunicar-se, vem desde a pré-história; segundo registros em pinturas e gravuras rupestres.
Na pintura moderna, temos os famosos “Muralistas Mexicanos”; com destaque para três heróis: Diego Rivera, José Clemente Orozco e Davi Alfaro Siqueiros, cujos murais, possibilitaram uma arte pública e coletiva, que resgatava a identidade cultural daquele povo; rompendo com o individualismo da pintura de cavalete, com acesso restrito aos aristocratas, em seus palácios.
Hoje, com o advento das tecnologias e da evolução terapêutica, entendemos que, com a arte, no uso do raciocínio, somado ao talento e as belezas estéticas que a história, a cultura e a natureza nos oferecem; podemos possibilitar ao ser humano uma ocupação “artístico/artesanal” que o leve a estimular: alegria, descontração, interação, autoestima, paixão, companheirismo e afetividade; estimulando processos que habilitam o indivíduo a um melhor convívio social.
Atividades do tipo: oficinas de arte, grupos de produção artística, pinturas coletivas; são excelentes para o resgate de capacidades operativas e cognitivas do cidadão, além da possibilidade da geração de renda, através da comercialização das criações produzidas durante as práticas artísticas.

JUSTIFICATIVA
A pintura, ministrada como oficina, traz ao usuário a dinamicidade real, a qual os artistas têm normalmente em seus estúdios de trabalho. E neste contexto estão inclusos também: a teoria, a história da arte, a filosofia da arte, a estética, o senso crítico e a lapidação da sensibilidade deste futuro “bom” cidadão; abrindo, desse modo, um leque de possibilidades referente a realizações artísticas e artesanais, criando um panorama cultural, cuja visão, vá além dos muros e paredes da instituição; chegando a um universo de sonhos e realizações.
As oficinas de pintura são também, atividades de expressão artística que procura auxiliar o portador de sofrimento psíquico, no processo de autoconhecimento; oferecendo-lhes um setting diferenciado, e a possibilidade de expressar sentimentos na forma de poética visual – não verbal.

OBJETIVOS

Objetivo Geral
Possibilitar ao usuário uma ocupação “artístico/artesanal” que o leve a estimular processos psíquicos que o habilitem a uma melhor socialização e reinserção social;

Objetivos Específicos
• Desenvolver a autonomia do usuário;
• Incentivar potenciais artísticos;
• Promover competência social e profissional;
• Reduzir estigmas direcionados aos indivíduos com psicopatologias;
• Capacitar o usuário para a geração de sua própria renda, por meio da aprendizagem em lidar com práticas diversas, como: pintura mural, pintura em tecido, pintura em cerâmica, pintura em tela, entre outros;
• Auxiliar na manutenção do bem estar sociocultural.

METODOLOGIA
O projeto ensina e recomenda o desenho, como o início de tudo, ou seja, antes de pintar, esculpir, construir, modelar, encenar, filmar, fotografar, etc., é de imprescindível importância o desenho, como forma de se planejar o que quer fazer. Portanto, serão apresentados procedimentos básicos das artes visuais como um todo. Pequena introdução no universo da arte: seus contextos, belezas, técnicas, valores, representações moral/religioso, artístico/filosófico e, sobretudo contemporâneo; onde cada vez mais se faz necessário o uso dessas linguagens, como modo de nos expressarmos livremente, sem nenhum tipo de “censura”.
O plano inicial visa resgatar hábitos de socialização, conhecimento e desenvolvimento de habilidades cognitivas, com o objetivo de definir a sequência de critérios para o trabalho (oficina) dentro e fora dos CAPS.
O plano seguinte, interligado ao primeiro, é de caráter definitivo, porém, aberto a adequação conforme necessidades na evolução prática das oficinas.

Público-alvo
Usuários com comprometimentos psicopatológicos de origens orgânicas, biológicas, psicológicas, sócio/adquiridas ou por uso de substâncias tóxicas.

CRONOGRAMA
O projeto terá inicialmente duração de seis meses e trabalhará com grupos que se formarão continuamente. O prazo necessário para o desenvolvimento pleno dessas atividades é medida de acordo com o plano de ação semestral repassada para o plano de ação mensal das oficinas, podendo ser renovado ou adaptado de acordo com a faixa etária do grupo; criando assim, um ciclo contínuo que favorecerá a manutenção do projeto de murais e oficinas de arte.

RECURSOS

Recursos Humanos
A oficina será facilitada por dois artistas plásticos, que trabalharão em parceria com dois profissionais (Uma psicóloga e um educador físico) representantes das instituições: CAPS II e CAPS-AD, no município de Piripiri-Pi, através da Secretaria Municipal de Saúde.

Recursos Financeiros
2 – galões (3,6 litros) de tinta látex/acrílica (branco fosco), a base d’água - “Hidracor”;
¼ - de tinta látex/acrílica – amarelo canário – a base d’água - “Hidracor”;
¼ - de tinta látex/acrílica – azul profundo – a base d’água - “Hidracor”;
¼ - de tinta látex/acrílica – vermelho cardinal – a base d’água - “Hidracor”;
¼ - de tinta látex/acrílica – preto fosco – a base d’água - “Hidracor”.

Bisnagas da marca Hidracor
12 unidades de amarelo, 6 de azul, 6 de vermelho, 4 de preto, 4 de verde e 4 de roxo.

Pincéis da marca “Condor” - referência: 456
Números: 04, 06, 08, 10, 12, e 14 – três de cada;
Trinchas: Nº 1,5 - 2,0 - 2,5 e 3,0 polegadas – três de cada.
1 – pacote de copos descartáveis;
3 – panos de chão para limpar pincéis, as mãos, etc.

PRODUTO FINAL
Grande exposição, com suportes bidimensionais, tridimensionais e performáticos, dará à mostra, uma unidade visual capaz de harmonizar-se com as diversas manifestações artísticas do grupo.
CD-ROM contendo fotos das etapas do projeto “oficina de arte”; concentrarão uma diversidade poética, por intermédio de “traços e cores”; que unirá não apenas os estilos, mas a força de equipe, embutida em cada um desses artistas. Podendo ser ainda, utilizado em palestras, como material de incentivo à arte e a cultura.

SÍNTESE DO PERFIL PROFISSIONAL DOS FACILITADORES DO PROJETO
Valdeci Freitas é fotógrafo, desenhista e pintor, têm atuação de mais de 25 anos no circuito das artes plásticas. Possui obras em museus de São Paulo e em importantes coleções particulares no Brasil e no exterior. Iniciou sua carreira como pintor nos anos oitenta, tendo desde então exibido suas obras individualmente ou em exposições coletivas, participando de mostras e projetos significativos no Brasil e no exterior. Assim como, trabalhos de pinturas cenográficas importantes para o cinema e o teatro, entre eles, o municipal de São Paulo.
Graduado em artes plásticas e pós-graduado em história da arte. - Cursos-Ouvinte de desenho e pinturas clássicas, nas Faculdades: BELAS ARTES, FAAP, FPA e ECA/USP. Atualmente, dedica-se a oficinas de arte, motivado por resultados já obtidos, numa experimentação em trabalhos de equipe, executado em cinema, teatro, ópera e em grandes murais.
Derisneide de Araújo Costa é artesã, desenhista e pintora. Graduada em Artes Plásticas, têm atuação de mais de 15 anos no circuito das artes plásticas. Possui obras em importantes coleções particulares. Iniciou sua carreira como pintora nos anos noventa, tendo desde então exibido suas obras em exposições coletivas; participando (com Valdeci Freitas) de projetos importantes como: Interpretação artística da Tumba de Sennedjem – Exposição: LOUVRE / FAAP – 2001 – A arte egípcia no tempo dos faraós. Com mostras também, nos museus: LOUVRE, CAIRO e METROPÓLITAN. Assim como, trabalhos de pinturas cenográficas importantes para o cinema e o teatro, entre eles, o filme: “Só para baixinhos 4”, da apresentadora Xuxa.

REFERÊNCIAS
AUMONT, Jacques. O olho interminável: cinema e pintura. Tradução: Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
BUORO, Anamelia Bueno. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ / Cortez, 2002.
CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma introdução. Tradução: Rejane Janowitzer. São Paulo: Martins, 2005.
DEMETRESCO, Silvia. Vitrina: Construção de encenações. São Paulo: SENAC - Educ, 2001.
FLORES, Cláudia Regina. Olhar, saber, representar: sobre a representação em perspectiva. São Paulo: Musa Editora, 2007.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Além do bem e do mal. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
SMITH, Thomas Graham. Industrial Light & Magic: the art of special effects. New York: A Del Rey Book, Ballantine Books, 1986.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Convite á estética. Tradução: Gilson Baptista Soares. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.